Planejamento já está em marcha no mundo todo para dar conta de imunização contra Covid

Planejamento já está em marcha no mundo todo para dar conta de imunização contra Covid

Processo de aprovação da vacina é só uma parte dos enormes desafios que o Brasil e o mundo terão que vencer. Por aqui, especialistas da Anvisa vão à China no próximo dia 13 para inspecionar fábricas das produtoras da Coronavac e Oxford/AstraZeneca

Países dão início ao planejamento que vai permitir a vacinação de bilhões de pessoas

Mesmo antes que o mundo saiba qual vacina terá a aprovação dos órgãos de saúde, já está em marcha um planejamento complexo para imunizar bilhões de pessoas em todo o planeta.

Do Brasil para a China, com partida no próximo dia 13. Na viagem prevista para durar um mês pela necessidade de quarentena, cinco especialistas da Anvisa vão à Pequim e depois à Xangai inspecionar como vão funcionar as fábricas da Sinovac e da Wuxi Biologics, produtoras das vacinas Coronavac e Oxford/AstraZeneca.

A visita é parte do processo de aprovação das linhas de produção.

Mas o processo de aprovação é só uma parte dos enormes desafios que o Brasil e o mundo terão que vencer para que a vacina chegue aos braços das pessoas. A maior campanha de vacinação já vista na história deve movimentar fábricas de embalagens e seringas, exigir uma quantidade imensa de freezers e câmaras frias e planos de logística para que o imunizante chegue aos lugares mais remotos do planeta.

“Não basta ter a vacina. É preciso que a gente tenha a população vacinada. Para isso, é preciso ter uma coordenação nacional, o Brasil tem tradição em programas de vacina”, diz Adriano Massuda, médico sanitarista.

Em muitos países, a organização já está em marcha. Nos Estados Unidos até fazendas de freezers estão sendo criadas para armazenar vacinas que precisam de temperaturas glaciais. É o caso das vacinas da Moderna e da Pfizer, que usam material genético e, por isso, precisam de temperaturas de 20 a 80 graus abaixo de zero.

Duas das vacinas com testes de fase três mais avançadas no Brasil não precisam de congelamento. A Coronavac pode ser mantida em geladeiras comuns de vacinas a temperatura de 2 a 8 graus, as mesmas exigidas pela vacina da Oxford. Mas haverá lugar para elas?

“Muito embora o Brasil já tenha uma cadeia de frio que seja uma cadeia boa de distribuição, ela está sendo utilizada pelas vacinas normais do esquema de vacinação. Tem que se estar já pensando nisso, pensando na frente e comprando novas geladeiras e equipando as salas de vacina e as unidades de saúde, os centros de distribuição nesse sentido. Para acomodar essa demanda que vai ser uma demanda adicional à demanda normal que o programa tem”, afirma Denise Garret, vice-presidente do Instituto Sabin.

A diretora executiva do Unicef, o Fundo das Nações Unidas para a Infância, diz que a preparação da entidade inclui o estoque já feito de meio bilhão de seringas esse ano e mais um bilhão para o ano que vem.

Aqui no Brasil, os três fabricantes de seringa estão preocupados. Dizem que tiveram uma reunião com o Ministério da Saúde em junho, mas até agora não receberam pedidos e só para as primeiras doses precisariam de um a dois meses para a produção. “Não é simplesmente ligar as máscaras. Eu preciso contratar gente, eu preciso comprar as matérias-primas, eu preciso dos plásticos, eu preciso comprar os metais para fazer a siringa, eu preciso comprar o material de embalagem. Então essa é a nossa preocupação”, diz Paulo Enrique Fraccaro, da AB.

Oito mil aviões Boieng 747 ou Jumbos Jets é o que a IATA, a Agência Internacional de Transporte Aéreo, calcula serem necessários para criar uma ponte aérea mundial de distribuição de vacinas. Todos têm pressa, mas a vacinação só deve decolar nos países que antes conseguirem se organizar.

Fonte: G1 Jornal Nacional

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